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Os diabéticos podem fazer dieta?

Sim, mas com regras. É preciso garantir que perdem massa gorda e preservam a massa magra (o músculo) e que o regime se adapta à condição de cada um para não comprometer a doença.

«Oitenta por cento dos diabéticos têm excesso de peso.» O emagrecimento é crucial para se conseguir «um bom controlo da glicemia, do colesterol, da pressão arterial e para se atingir e manter um peso saudável, de forma a prevenir o aparecimento das complicações relacionadas com a diabetes», afirma o nutricionista José Camolas. Mas é necessário perder o peso certo, ou seja, «perder massa gorda e manter ou ganhar massa magra (músculo)», especifica o nutricionista. Há quem recorra a diuréticos e nota-se uma perda de peso. Contudo, «não significa que se esteja a perder massa gorda e a melhorar o estado metabólico». Pelo contrário: se estivermos perante «uma pessoa mais velha, com diabetes e já com algum compromisso da função renal, os rins vão ser prejudicados pelo diurético». Daí que, «ao não se perder peso da forma certa, pode-se comprometer mais a diabetes».

Dieta na diabetes – Fatores a considerar

Segundo José Camolas, a dieta recomendada terá de ter em consideração se «já há complicações associadas à diabetes, como doença renal, retinopatia diabética ou sobrecarga ao nível cardiovascular», bem como «saber como está o colesterol e a pressão arterial». Outro aspeto importante é a toma de antidiabético oral (melhora a sensibilidade à insulina). Neste caso, pode ser suficiente fazer «a distribuição relativamente homogénea do consumo de hidratos de carbono ao longo do dia, para que haja uma conciliação entre a capacidade de se ainda produzir a própria insulina e o efeito do medicamento, de modo a evitar hipoglicemias ou hiperglicemias», salienta o nutricionista.

 

Caso o doente já esteja num estádio em que seja necessário recorrer à toma de insulina, também deve ser considerado na dieta. Assim sendo, se o indivíduo usar «uma bomba infusora de insulina, poderá fazer-se uma restrição menor de hidratos de carbono durante as refeições, porque a bomba pode estar programada para libertar insulina basal (libertação constante de pequenas quantidades ao longo do dia) e basta ajustar a quantidade de insulina (bolus) em proporção aos hidratos de carbono que se vai ingerir».

 

Cada caso é um caso

 

É importante a prescrição de «uma dieta adaptada à pessoa em questão, não havendo, por isso, uma dieta específica de perda de peso para pessoas com diabetes», indica José Camolas, salvaguardando que «temos de ter um cuidado particular com estratégias de redução de peso menos bem estudadas, como os jejuns alternados, a restrição mais significativa de hidratos de carbono ou mesmo as dietas cetogénicas, dado ainda haver pouca evidência científica ou a que temos não ser suficientemente robusta para podermos recomendar estes métodos». Por exemplo, num «diabético mais velho, uma dieta cetogénica poderá aumentar ligeiramente o risco de hipoglicemia. Já uma dieta hiperproteica poderá ter um efeito negativo na função renal», argumenta.

 

O importante é ser saudável

 

Os princípios básicos de uma dieta para pessoas com diabetes são «idênticos aos das dietas de redução de peso para quem não tem diabetes». Ou seja, «tem de ser uma dieta de base saudável, em linha com a Roda dos Alimentos», refere José Camolas, explicando que tem de ter «uma grande componente de legumes e hortícolas, uma proporção substancial de fruta fresca, uma fatia considerável de leguminosas (feijão, grão, ervilhas…), bem como de cereais e tubérculos». Analisando a dieta em termos de macronutrientes (proteína, gorduras e hidratos de carbono) e micronutrientes (vitaminas, minerais e elementos fitoquímicos), eis o que precisa de saber para adotar uma dieta saudável que resulte na perda de peso.

 

Proteína: adeque às necessidades

 

Encontrada sobretudo na carne, peixe e ovos, se estiver em causa uma criança, um adolescente ou um desportista, «pode ingerir um pouco acima do valor de referência – 0,8 a 1 g por kg de peso, por dia. No caso de um diabético mais velho, com algum compromisso da função renal, já não se deve ultrapassar 0,8 g», afirma José Camola. Na maioria dos adultos, «não é necessário mais de 100 a 150 g de peixe ou carne por dia, porém, na maioria das vezes, ingerimos esta quantidade apenas numa das refeições principais, o que origina um consumo de proteína acima das necessidades». Daí o nutricionista salientar que «a maior parte das pessoas não precisa fazer suplementação de proteína».

 

Gorduras: prefira as monoinsaturadas

 

«Podemos ter uma proporção ligeiramente maior, no geral, do que pensaríamos», revela José Camolas, indicando, a título de exemplo, que a Dieta Mediterrânica «tem demonstrado um bom desempenho no doente diabético e tem cerca de 40% de gordura, mas é sobretudo de natureza monoinsaturada». O azeite, sendo uma gordura deste tipo, é «ótimo e passível de ser usado em todo o processo culinário», devendo-se usar, quando o objetivo é a perda de peso, «meia colher de sopa por pessoa quando se está a cozinhar». Já as gorduras dos produtos de origem animal devem ser evitadas, visto «serem, normalmente, saturadas». Em suma, na prática, segundo o nutricionista, «devemos ter algum cuidado com as carnes mais gordas, ou com produtos originados do leite, também mais gordos». Além disso, «a gordura saturada não deve ir além dos 10% do teor total de calorias diárias», acrescenta.

 

Hidratos de carbono: privilegie os de absorção lenta

 

Quem tem diabetes precisa de controlar e estabilizar os níveis de açúcar no sangue. Daí a importância de consumir alimentos com os melhores hidratos de carbono (que se vão transformar em açúcar), dado estes não serem todos iguais. Deste modo, deve optar-se por hidratos de carbono de absorção lenta porque «esbatem os picos glicémicos pós-prandiais, ou seja, as curvas glicémicas a seguir à refeição». Um exemplo «são as leguminosas, que são também muito ricas em fibras, vitaminas, minerais e têm alguma quantidade de proteína». Ainda segundo o nutricionista, podem ser usadas «em sopas ou como acompanhamento, substituindo a batata, o arroz ou a massa».

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Duelo alimentar: quinoa vs. leguminosas

Micronutrientes: escolha alimentos pouco processados

 

Nas dietas, «focamo-nos nos macronutrientes e esquecemo-nos de que a grande virtude de uma alimentação diversificada reside nas vitaminas, minerais e elementos fitoquímicos». O «segredo» está nos «alimentos pouco processados, não havendo nada tão rico como o grupo dos hortícolas e da fruta fresca», sublinha o nutricionista. Deve-se ainda dar primazia a alimentos integrais. Neste sentido, José Camolas explica que, «quando pegamos num grão de cereal e o moemos por inteiro, no final temos uma farinha integral e a sua qualidade nutricional é superior à da farinha obtida de um grão descascado, em que fica apenas o seu interior amiláceo, pois esta será uma farinha mais rica em amido, que retém alguma proteína, mas que perdeu as vitaminas, minerais e fibra».

O especialista recomenda

Não se esqueça dos estufados

Para o nutricionista José Camolas, uma culinária mais simples não tem de ser sinónimo de cozidos e grelhados todos os dias. Assim sendo, experimente os estufados desta forma:

 

  • Retire as gorduras da carne;
  • Adicione pouca gordura;
  • Use menos sal, recorrendo a ervas aromáticas;
  • Use mais cebola, alho e alho-francês;
  • Faça uma mistura de legumes na base do estufado.

 

Mexa-se mais

 

Além da dieta, deve ser mais ativa fisicamente. «Se tiver hipótese de ter acesso a um local para fazer exercício físico estruturado, isso é o ideal. Senão, tente fazer mais atividade física no dia a dia», recomenda o nutricionista José Camolas.

 

Adoçante ou açúcar?

 

O ideal é «retirar da alimentação o açúcar adicionado e os edulcorantes (adoçantes)», indica o nutricionista José Camolas. Porém, se não conseguir, «use edulcorante na menor quantidade possível. E, apenas se não conseguir usar o adoçante, então opte pelo açúcar, também na menor quantidade possível», acrescenta.

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Fontes

Referências

  • Revista Prevenir
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