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Tudo sobre adoçantes

Respondemos às principais dúvidas sobre o consumo deste «aditivo alimentar» que garante o mesmo sabor do açúcar sem fornecer calorias.

Os edulcorantes, mais conhecidos por adoçantes, sem ou de baixas calorias, são utilizados como uma alternativa à sacarose (o açúcar «normal»). O objetivo é produzir alimentos e bebidas com baixo valor calórico ou energético, ou mesmo sem adição de açúcar. Muitos deles já são utilizados pela população há mais de um século de forma segura. No entanto, continuam a existir dúvidas sobre a sua utilização.

 

Para chegar a um consenso ibero-americano sobre o consumo destes aditivos alimentares, a Fundação para a Investigação Nutricional reuniu, em Lisboa, em julho de 2017. Juntaram-se mais de 60 especialistas internacionais de diferentes áreas como a nutrição e a dietética, a endocrinologia, a saúde pública e a legislação alimentar. Em análise, estiveram os aspetos nutricionais, as medidas regulatórias e a segurança deste tipo de adoçantes. Estivemos presentes e colocámos as questões que lhe vão dar as respostas de que precisa.

Os adoçantes são mais saudáveis do que o açúcar?

«Não são mais nem menos saudáveis. A diferença é que o açúcar tem cerca de 4 calorias por grama e os adoçantes têm zero calorias. Isso faz dos adoçantes uma melhor opção se o objetivo for a diminuição da ingestão calórica», explica Susana Socolovsky, presidente da Associação Argentina de Tecnólogos de Alimentos. Na opinião da especialista, reduzir a ingestão calórica é um cuidado importante no controlo do peso corporal. «O aumento de peso é uma consequência de um desequilíbrio entre o número de calorias consumidas e o número de calorias gastas. Como somos cada vez mais sedentários, é importante reduzir as calorias que ingerimos. Pode ser feito através da substituição do açúcar por adoçantes sem ou de baixas calorias», recomenda a especialista.

Quais são os adoçantes mais saudáveis?

«Todos os adoçantes são seguros para a saúde, desde que sejam consumidos dentro das quantidades recomendadas. As doses máximas aceitáveis são calculadas através de inúmeros estudos que comprovam a inocuidade destas substâncias em testes realizados com animais e com doses 100 vezes superiores a estas», indica Sérgio de Sousa, nutricionista no Hospital Pediátrico de Coimbra. No entanto, adianta, alguns adoçantes, nomeadamente aqueles que produzem uma menor resposta glicémica, podem ser mais vantajosos. Entre eles, o especialista destaca o adoçante stevia. «Além do seu elevado poder edulcorante, tem outras propriedades importantes para o organismo. É o caso da sua ação antioxidante e do seu papel no controlo metabólico da glicemia», refere.

A quem se recomenda o uso de adoçantes?

«Por ser uma alternativa ao açúcar, sem calorias, é uma boa opção para pessoas que queiram manter ou perder peso. E poderá ser mais uma estratégia importante na prevenção ou tratamento da obesidade, bem como das doenças associadas, como a diabetes», indica a investigadora France Bellisle, da Unidade de Epidemiologia Nutricional na Universidade de Paris. O uso de adoçantes não é, contudo, «a única solução para o controlo de peso nem uma cura para a obesidade. Substituir o açúcar pelos adoçantes (sem calorias) pode ser uma boa ajuda para reduzir ou manter o peso, quando integrada num estilo de vida saudável», sublinha a especialista.

Os adoçantes ajudam a perder peso?

Os especialistas frisam que os adoçantes não são “produtos milagrosos”. «O excesso de açúcar é apenas um dos fatores responsáveis pelo excesso de peso, mas existem outros, como a regularidade da atividade física e o tipo de alimentação. Todos eles influenciam a perda de peso. Por isso, o uso de adoçantes é só mais uma estratégia a incluir na abordagem da perda de peso e não uma solução», acrescenta Lluís Serra-Majem, professor de medicina preventiva e saúde pública, e presidente da Academia de Nutrição e Ciência da Alimentação, em Espanha.

Os adoçantes ajudam a controlar o apetite e a emagrecer?

«Há uma variedade de estudos experimentais e epidemiológicos, observações clínicas e revisões sistemáticas que provam que os adoçantes não têm qualquer efeito direto no nosso apetite», afirma a investigadora France Bellisle. «Os adoçantes substituem apenas o sabor do açúcar no nosso paladar, sem aportar calorias ou fornecendo poucas calorias. Assim, ajudam a reduzir a ingestão calórica, mas não têm qualquer efeito fisiológico no organismo», explica Susana Socolovsky.

Um estudo publicado no National Health and Nutrition Examination Survey (EUA) mostrou, no entanto, que as pessoas que usam adoçantes em vez do açúcar têm hábitos de vida mais saudáveis. «O comportamento alimentar segue padrões. Embora o consumo de adoçantes não tenha um efeito direto no apetite, sabemos que quem prefere este aditivo alimentar baixo em calorias também tem uma alimentação mais cuidada. Come mais vegetais e tem preferência por produtos dietéticos», explica o autor do estudo, Adam Drewnowsky, investigador no Washington Center for Obesity Research.

 

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Qual a dose máxima recomendada?

As doses diárias máximas recomendadas variam consoante o tipo de adoçante. Podem variar entre 4 mg e 40 mg por cada quilo de peso corporal. «O mais importante é certificarmo-nos de que estes limites não estão em risco de serem ultrapassados», alerta Sérgio de Sousa.

Um estudo realizado em Portugal, e apresentado pelo nutricionista neste encontro, mostrou que as crianças e os jovens entre os 10 e os 18 anos consomem um número de adoçantes abaixo da dose máxima recomendada. «Este estudo veio tranquilizar-nos. As crianças e os jovens, nomeadamente entre os 10 e os 12 anos, são o principal grupo de risco de consumo excessivo. Tal acontece devido ao peso corporal que é inferior. Mas também pelo consumo mais elevado de produtos com vários adoçantes na sua composição como rebuçados, pastilhas elásticas e refrigerantes. Mesmo assim, este grupo está longe de atingir os valores máximos recomendados. O que quer dizer que provavelmente a restante população estará ainda mais longe», analisa o nutricionista.

Existem riscos para a saúde associados ao consumo de adoçantes?

«Não é aceitável que existam dúvidas sobre a segurança dos edulcorantes para a saúde humana. Nenhuma das autoridades reguladoras que avaliam a segurança dos novos aditivos alimentares autorizaria um produto que representasse qualquer tipo de risco para a saúde dos consumidores», sublinha Lluís Serra-Majem. «Na Europa, por exemplo, todos os aditivos alimentares, onde se incluem os adoçantes sem ou de baixas calorias, estão sujeitos a uma avaliação de segurança. Esta é realizada pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), antes de serem autorizados e utilizados na União Europeia», refere Sérgio de Sousa.

Para garantir a segurança dos consumidores, foi desenvolvido o conceito de Dose Diária Admissível (DDA). Ou seja, a quantidade máxima que pode ser consumida em média, diariamente, durante toda a vida, sem qualquer efeito adverso», explica o nutricionista. A investigadora Susana Socolovsky assegura que «esta é uma medida muito conservadora e que não há risco que o ser humano exceda a dose máxima estipulada».

Os adoçantes são uma boa estratégia para reduzir o consumo de açúcar?

«Substituir o açúcar “normal” pelos adoçantes pode ajudar a reduzir o consumo de açúcar, numa altura em que há uma pressão da comunidade médica para a sua redução em vários países do mundo», refere Lluís Serra-Majem. «Está provado que atualmente estamos a consumir quantidades de açúcar muito acima das recomendadas. Este é um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças crónicas, como a obesidade e a diabetes. À semelhança do que já está a acontecer noutros países, como a Inglaterra, acreditamos que em breve os adoçantes venham a integrar medidas políticas de redução de consumo de açúcar», antecipa o especialista.

Há relação entre o consumo de adoçantes e o desenvolvimento de cancro?

«Não há evidências epidemiológicas que associem o consumo de adoçantes com o desenvolvimento de cancro», assegura o investigador Carlo La Vecchia, do Departamento de Ciências Clínicas e Saúde Comunitária da Universidade de Milão. Um estudo realizado pelo investigador com a população italiana analisou centenas de doentes com os tipos de cancro que ainda não tinham sido considerados nos estudos epidemiológicos anteriores, nomeadamente o cancro do pâncreas, o gástrico e do endométrio. As conclusões vieram confirmar que o consumo de edulcorantes com baixas calorias não teve qualquer efeito no risco de desenvolver estas neoplasias.

Que tipos de edulcorantes existem?

Os edulcorantes ou adoçantes de baixo valor calórico são utilizados como aditivos alimentares pela indústria alimentar. São também comercializados como adoçantes de mesa. Isto é, podem ser usados em substituição do açúcar para adoçar alimentos e bebidas. De acordo com o nutricionista Sérgio Cunha de Sousa, existem 2 tipos de adoçantes. Os com açúcares reduzidos, também chamados polióis, têm, em relação à sacarose, um poder adoçante mais baixo e um valor calórico próximo. Por esta razão, não podem ser adicionados a alimentos de valor energético reduzido. São exemplo destes adoçantes o maltitol, lactitol, xilitol, isomalte e o eritritol.

Depois existem ainda os edulcorantes intensos, ou artificiais, que são utilizados pela indústria alimentar e de bebidas, e pela indústria farmacêutica. São também comercializados como edulcorantes de mesa, podendo ser usados em substituição do açúcar para adoçar alimentos e bebidas. É o caso do acessulfame-K, aspartame, ciclamato, da sacarina, da neo-hesperidina dihidrochalcona e da stevia.

 

Fontes

Referências

  • Revista Prevenir
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