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A relação entre diabetes e aterosclerose

Haverá relação entre a diabetes e o processo de aterosclerose. A resposta é inequívoca: sim. Descubra o que é afinal a aterosclerose, como se forma e qual a sua relação com a diabetes.

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Está estabelecido que pessoas com níveis de glicemia superiores ao normal, mesmo que não sejam elevados o suficiente para haver um diagnóstico de diabetes, têm um risco acrescido de vir a sofrer de doença coronária. Este risco é tanto maior, quanto o valor de glicemia. E sabe-se também que há uma relação entre a aterosclerose e a diabetes: é a principal causa de morte em pessoas com diabetes tipo 2.

 

Entre as várias condições que podem explicar esta relação entre doença cardiovascular e diabetes tipo 2, a presença de níveis elevados de colesterol «mau» (colesterol LDL) parece ser particularmente importante, pelo que o seu controlo é prioritária na prevenção de doença cardiovascular nestas pessoas.

O que é a doença aterosclerótica?

A aterosclerose é definida pela presença de depósitos de gordura, chamados de placas de aterosclerose, nas paredes dos vasos sanguíneos. À medida que se desenvolvem e aumentam de dimensão, as paredes dos vasos sanguíneos tornam-se mais espessas e o espaço no seu interior fica mais estreito, o que reduz o fluxo de sangue.

 

O local em que a placa se desenvolve, o tipo de artérias afetadas, assim como o facto de a placa bloquear parcial ou totalmente a circulação sanguínea, são situações que podem precipitar diferentes tipos de doenças cardiovasculares. Alguns exemplos são:

 

  • Doença coronária: placas nas artérias do coração ou que conduzem sangue ao coração;

 

  • Angina de peito: dor no peito devido a uma redução do fluxo sanguíneo no músculo cardíaco; 

 

  • Doença arterial periférica: placas nas artérias das extremidades do corpo, em especial nas pernas.

Como se formam as placas de aterosclerose e qual o seu perigo?

As placas de aterosclerose são formadas por colesterol, outros tipos de gorduras, resíduos provenientes de células, cálcio e fibrina (uma proteína envolvida na coagulação do sangue). 

 

Parte da placa pode desprender-se e ser transportada pelo sangue até obstruir a circulação sanguínea noutro local. A placa aterosclerótica facilita também a adesão de coágulos de sangue (trombos) à parede interna dos vasos sanguíneos. Ambas as circunstâncias conduzem ao bloqueio das artérias. Se o fluxo sanguíneo para o coração e cérebro for interrompido, um enfarte agudo do miocárdio (EAM) ou acidente vascular cerebral (AVC), respetivamente, podem ocorrer.

Qual a relação entre diabetes e aterosclerose

A diabetes é um fator de risco importante para o desenvolvimento de doença aterosclerótica. A diabetes tipo 2 está associada a uma desestabilização do equilíbrio normal entre os vários tipos de partículas de gordura existentes no organismo que favorece a formação de placas de aterosclerose.

 

Apesar de, por si só, ter diabetes tipo 2 ser um fator de risco para doença aterosclerótica, estas pessoas têm com frequência outras condições que aumentam também a probabilidade de desenvolver este tipo de doença: 

 

  • Níveis elevados de lípidos no sangue;

 

  • Pressão arterial alta;

 

 

 

  • Doença renal crónica;

 

  • Fumar. 
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As complicações da diabetes

O controlo conjunto dos níveis dos lípidos, da glicemia e da pressão arterial permite evitar os problemas associados às doenças cardiovasculares, como o EAM ou de AVC, até cerca de 75 %.

 

Aconselha-se, desta forma, que pessoas com diabetes tipo 2 sejam avaliadas quanto aos níveis de lípidos no sangue (colesterol total, C-LDL, C-HDL e triglicéridos), no momento em que lhes é feito o diagnóstico e em períodos de tempo regulares, definidos de acordo com a idade e duração da doença. 

 

Recomendam-se também alterações de estilo de vida, em especial perda de peso e uma dieta equilibrada. De acordo com as características da pessoa, a toma de medicação para controlar os valores de colesterol LDL, nomeadamente de estatinas, poderá ser considerada, tanto para prevenir que a doença aterosclerótica surja, no caso de o doente ainda não a apresentar, ou de prevenir as suas consequências, caso já tenha sido diagnosticada.

 

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Fontes

Referências

  • European Society of Cardiology (ESC)
  • European Association for the Study of Diabetes (EASD)
  • Cederberg and Laakso, 2012
  • Davies, et al 2018
  • American Heart Association (AHA)
  • Fundação Portuguesa do Coração (FPC)
  • American Diabetes Association (ADA)
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