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Insulina: compreender a hormona da diabetes

Insulina. Não haverá um doente diabético que nunca tenha ouvido falar naquela que é a substância da diabetes por excelência. E compreender a insulina é meio caminho andando para entender melhor a doença.

A insulina é uma hormona capaz tanto de facilitar a entrada de glicose nas células hepáticas, como de favorecer a glicogénese (ou seja, de armazenar a glicose no fígado sob a forma de glicogénio que explicamos mais adiante). Controlada por outras hormonas e pelo sistema nervoso autónomo, a insulina parece-lhe complicada de compreender na totalidade? Nós também achamos! Por isso, este artigo pretende pôr os pontos nos is (e insulina escreve-se com i, atenção). Afinal, o que quer isto dizer e porque devo saber mais sobre este tema?

Onde é produzida a insulina?

O pâncreas é o órgão da diabetes por excelência e é ele que produz a insulina. O pâncreas é uma glândula, o que significa que tem a capacidade de produzir várias substâncias que vão, depois, ter efeitos em inúmeras funções corporais. Numa das suas porções, o pâncreas produz substâncias, como as hormonas, que vão depois entrar na corrente sanguínea e ser levadas para os locais onde realizam as suas funções.

 

Uma dessas hormonas é a insulina, produzida por um grupo de células chamados de ilhéus de Langerhans (que devem o seu nome ao homónimo médico alemão que os descobriu no século XIX). Nos ilhéus existem vários tipos de células: as células beta são a fonte da insulina.

Porque é a insulina importante?

É a insulina que permite ao corpo usar o açúcar do sangue (glicose) para produzir energia ou, então, acumular esse mesmo açúcar para situações futuras em que o corpo precise de o usar. O açúcar presente no sangue vem dos alimentos que ingerimos, e não só de coisas doces. Afinal, muitos alimentos têm grande quantidades de açúcar e não são doces. Além disso, os hidratos de carbono são essenciais numa dieta equilibrada.

 

No corpo, a regulação mais importante das transições entre jejum e refeição (e vice-versa) é feita pela insulina. É ela que permite que os nossos níveis de açúcar não atinjam valores excessivos (hiperglicemia), nem valores demasiado baixos (hipoglicemia).

 

Quando ingerimos alimentos, estes são digeridos e sofrem um conjunto de processos químicos e físicos que fazem com que o organismo possa utilizar os nutrientes presentes para «alimentar» as células que compõem os órgãos e permitem a nossa sobrevivência. O que acontece é que, à semelhança de outros nutrientes, os açúcares não conseguem entrar nas células do corpo e ser utilizados por estas se não tiverem uma ajuda – é aí que entra a insulina.

Como é que esta hormona faz a suas funções?

Num contexto normal, depois de uma refeição, os níveis de glicose vão estimular as células beta a produzir insulina. A insulina vai, depois, chegar aos locais nos quais atua, comunicando-lhes que devem captar e utilizar essa glicose que está em circulação.

 

A atuação da insulina dá-se essencialmente sobre as células dos músculos, do tecido adiposo (gordura) e do fígado. Quando atinge essas células, a insulina é a «chave» que permite a absorção ou armaenamento do açúcar. Como?

 

  • A insulina aumenta o transporte de glicose para dentro das células através da sua ligação a vários recetores nas superfícies dessas células. Ainda assim, podemos dizer que sem ela, o açúcar seria «barrado» à entrada;

 

  • Durante a altura em que a glicose está a entrar no organismo (através da alimentação), as células do músculo e do fígado, por exemplo, capta, e acumulam reservas de glicose. Essas reservas são chamadas de glicogénio. A insulina permite esta transformação de glicose em glicogénio estimulando a enzima que acelera essa transformação – glicogénio sintase – e inibe a enzima que a limita – a glicogénio fosforilase.

O controlo da secreção da insulina

Pelo contrário, em alturas em que não há alimento, a produção de insulina está diminuída. Assim sendo, os órgãos (e as células) não vão captar nem utilizar a glicose. Da mesma forma que, depois de uma refeição, o aumento da glicose no sangue vai estimular a produção da insulina. E quando essa glicose passa para dentro das células, o pâncreas recebe indicação de que deve deixar de produzir insulina. Dizemos, por isso, que a glicose é o principal controlador da produção da hormona.

 

Há, no entanto, outras formas de controlo. Há um controlo hormonal – sim, uma hormona que controla a produção de outra hormona – através do chamado péptido insulinotrópico dependente da glicose (GIP, na sigla inglesa), produzido pelo sistema digestivo em resposta à ingestão de alimentos. É muito importante pois faz com que o pâncreas produza uma quantidade maior de insulina (e durante mais tempo), o que evita grandes picos de concentração de glicose após a refeição.

 

Há ainda uma regulação por parte do sistema nervoso autónomo, através de produção de hormonas pelos neurónios que tanto estimulam a produção de insulina como a inibem. A epinefrina, por exemplo, que é produzida pelas glândulas supra-renais, é uma dessas hormonas. É curioso perceber que esta regulação, com as mesmas hormonas, acontece quando fazemos exercício físico ou em situações de stresse. Ou seja, são duas situações associadas ao  aumento ou diminuição da quantidade de açúcar no sangue.

 

É muito interessante perceber como a insulina, apenas uma substância, pode ter tanta influência em inúmeros aspetos da sobrevivência do organimo. Por isso, devemos ficar contentes por saber já tanto sobre a insulina. E saber mais sobre ela é aprender a gerir melhor a diabetes.

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178.

A insulinorresistência explicada

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Fontes

Referências

  • Vander, Sherman & Luciano (2006)
  • Endocrine Web
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